31.3.09

...

Eu teria agora uma trilha sonora erudita: Debussy. Debussy e seu som romântico de um piano que me conduz até o infinito do céu e depois me tomba no chão em milésimos de segundos. Eu ouço a música sentada no banco e escrevendo o que quer que seja o que é isso aqui e sinto vontade de chorar. Porque hoje eu não consegui olhar as plantas, nem as flores, hoje eu não consegui sorrir, hoje eu consegui escrever. Eu sinto pequenas cócegas de quando em quando; são as formigas que me sobem, que me fazem perceber que eu estou viva. Hoje eu morri um pouco. Amanhã eu renasço outra vez, quem sabe. Amanhã minha cabeça não dói, amanhã eu não estarei despida. Me roubaram o corpo, sugaram o meu bem. Sobrou o meu mal, das lágrimas que resolvem por alguns instantes e me trazem a mim. Pra eu sentir. Me sentir. Hoje eu não sou eu. Quero o meu corpo de volta pra eu poder mostrá-lo só quando eu quiser. Há coisas que só se entende ao amar. Há coisas que só doem porque se ama. Algumas coisas só podem ser compartilhadas com o seu amor.Meu corpo é uma delas, alguns sorrisos também, algumas palavras, um certo tom de voz. Por isso hoje eu só quero a música, só cantar, que é o que eu mais gosto de fazer, pra ver se me ajuda a renascer um pouquinho.

1.3.09

Só

Eu só queria sentir teu abraço forte. Queria só sentir teu colo quente, teus beijos doces. Só queria que me fizesse um jantar.Queria só poder falar com você das minhas angústias, dos meus medos. Só queria ficar do seu lado em silêncio. Queria só te observar dormindo. Só queria dormir com você. Acordar com você. Eu só queria que você existisse. Só por esta noite, ou só até amanhã de manhã.


*quadro do Museo Nacional de Belas Artes de Buenos Aires

26.2.09

anti- romance

As luzes se apagaram. Faltou luz.

As velas se apagaram. Batia vento.

Na caixa de música, colocaram rock n’ roll. Não podiam dançar juntinhos.

As flores estavam murchas.

Ninguém decorou um poema.

Mas eles queriam um ao outro.

E o momento foi mais completo.

Do que nunca.


(só pra deixar o fim de carnaval mais romântico...)

25.2.09

uma poesia da chuva de quarta-feira de cinzas (ou uma poesia sem rima)

Chove
Chove chuva
Molha a quarta-feira de cinzas

As cinzas da alegria dos confetes, serpentinas, fantasias e marchinhas

Chove
Chove chuva
O Carnaval passou
Ninguém vai reclamar

Chove
Chove chuva
Renova a cara do ano que precisa começar
Traz esperanças nos seus pingos

Leva o choro bandido do Pierrot pela Colombina

Chove chuva
Assim, disfarço as minhas lágrimas
Lavo a alma
E me despeço do que já passou...

14.2.09

Chico a Chiqueiro

Noite de Lua cheia. Não era na verdade. Quero que seja. Posso querer. Quero tantas coisas. Quero ver seus olhos verdes cruzarem o meu, mas infinitas mesas aglomeradas dificultam o tete a tete. Quero acender um cigarro mas não pode fazer fumaça. Quero beber mas é proibido circularem garçons entre as mesas. Quero berrar LINDOOOO. Berro. Berro. E berro quantas vezes eu que quiser. A voz sai como se quisesse dizer muitas coisas mas só consigo lindo. È lindo mesmo. Entra cantando. Encanta. Aglomeração. Pressão. Fila. Busão. Superado. Alcançado. Chico canta. Timidamente canta. Sai cantando pra não voltar. Só mais uma vez. Divido a dor do fim. Acabou. Passou. Luzes acesas. Rio apagado. Noite quente. Vamos sair e ver o dia clarear. È como voltar ao mundo real. Real. Cruel. Mas engraçado. Excursão. Espera. Cigarro. Gargalhadas. Silencio. Madrugada a dentro. Ônibus lotado. Som ambientado.Santo Amaro. Coca. Sequilho. Balança. Anda anda e não chega. Perdidos. Centro. Palavras. Silabas. Musica. A vida não pode esperar. Corações e mentes apertados por quinze conto. Preço. Mas a Lua cheia não tem preço. Ilumina. Esquenta. Ladeira não sobe. Dançar. Descabelar. Dançar. Suar. Sem vergonha. Sem contenção. Olhos ardidos. Boca Seca. Fumacê. Jorge, Fogo Encantado, Tim, Trash 80. Madrugada se vai. Vai Vai,não vai. Mais gente quer entrar. Entra e sai. Carregar energias. Comer. Degustar. Augusta de esquina. Falar. Falar. Terminar de gargalhar. Gargalhar sem pausar. Piadas espontâneas. Cordialidade. Rapidez. Uma. Duas. Três. Coxinhas sem parar. Coca pra rematar. Minas no cheiro. Sai pão de queijo. Resistência. Posso levar? Devoradores na noite. Noite devoradora. Surpreendente.Difícil levantar. Levantar e continuar. Seguir como Rio. Correnteza passa. Rio calmo. Barca sentido casa. Devemos pegar. Correr. Embarcar. Despedida. Abraço apertado. Cada um pra um. Lado. Lado a Lado. Boa noite. Bom dia. Luz do amanhecer. Lua apagada. Embaçada. Quero assim. Querer chegar. O picadeiro se desfaz. Casa. Ultimo trago. Corpo cansado. Coração acalentado. Ultimo cigarro. Cama. Sábado marcado. Indescritível descritível.Olhos fechados. Domingo atarefado.Chico a Chiqueiro. Se não fosse assim. Nada. Ponto final. Fim. Ultimo suspirar.LINDOOOOOOOO!Calar.

12.2.09

AMOR


" O ser busca o outro, e ao conhecê-lo
acha razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que á vida imprime cor, graça e sentido"
Carlos Drummond de Andrade

** nega!!! perto de nossos corações.

11.2.09

carreira solo

Meninas,
Resolvi acender um novo farol numa praia deserta e desconhecida.
Depois desses meses de trocas intensas por aqui, tomei coragem de atracar o meu barco num lugar mais meu. Criei um blog particular.
É estranho. Dá medo.
Temo as ventanias ou ressacas do mar. Afinal, acho que um farol sozinho tem menos brilho! E por aqui, tantas luzes juntas dão essa cara de fogos de artifício em noite de Ano novo.
O aconchego da amizade deixa a possibilidade do erro mais distante. Nesse bloco virtual, sem regras, com tantos sons, cores e formas diferentes, me permiti sem temer.
Ainda assim, correrei o risco da busca por um caminho solitário. Atraquei o meu barco em águas perto de um jardim.
E, quero pedir que me visitem. Pois, saibam, este passo foi graças ao nosso "Acende o farol". Tamanha ousadia nasceu depois de dividir esse espaço com vocês.
Acendam seus faróis por lá, onde as rosas não falam e tentam criar sentidos nas palavras escritas. Não falam, porém, não querem preservar a mudez... pelo desejo de dar voz à emoção através da grafia. Iluminem as minhas palavras, se sentirem algum murmúrio ecoar (e o contrário, também)!
Deixo aqui o convite.

Um beijo,

Day